Log in
A+ A A-

Malabarista de Leme, SP, realiza sonho e compra jipe com dinheiro do semáforo

Ter a rua como palco não é confortável. Há a chuva, o risco de acidentes e os olhares de desconfiança, mas existem na região artistas que se especializaram em atuar nesse ambiente e que realizam sonhos com o dinheiro do semáforo.

O malabarista Marco Cassiano, de Lem, conquistou seu Toyota Bandeirante após cinco anos de economia.

Formado em administração, com cursos de informática e logistica, ele trabalhou por 15 anos em escritórios e há sete deixou de lado o terno e a gravata por coletes coloridos, claves e um novo "nome", TicoTuca.

"Comecei a conhecer, fazia trabalho no farol nos fins de semana e aos poucos comecei a substituir o trabalho no escritório pelo do semáforo", disse o malabarista de 39 anos.

Ele também faz eventos e ministra cursos, mas garante que a maior parte do sustento vem da rua. "Evento tem dia que não tem e, no caso das oficinas, há prefeituras que demoram mais de um ano para pagar".

Um jipe chamado Suzy

Com o tempo, Cassiano começou a juntar o dinheiro dos malabares para concretizar um desejo antigo e, em 2015, ganhou uma "companheira".

"Sempre tive o sonho de comprar um jipe, mas pensava 'um dia'. Se eu tivesse comprado quando estava no escritório, talvez não desse tempo de curtir o carro", afirmou o malabarista, que apelidou o veículo de Suzy.

Apesar do carro, ele diz que a maior conquista enquanto artista é o reconhecimento. "Às vezes, uma criança que sorri no farol, uma vez ganhei um coelhinho da Páscoa depois da Páscoa", exemplificou, contando que agora pretende rodar o Brasil com seus malabares e seu jipe.

Miojo

Sinal vermelho, hora de correr para a calçada, passar o chapéu ou pegar algum equipamento caído no asfalto. O desafio é calcular o tempo da apresentação de acordo com os segundos do semáforo.

Nas vias de São Carlos, transita entre os carros, ônibus e motocicletas um homem de bigode e chapéu-coco. Conhecido pelo público como “Miojo”, Weslei Souza dá vida ao palhaço Tagarela e vive do que ganha como malabarista.

“Gosto quando as crianças vêm na janela dar 'bom dia', 'boa tarde', aparecem para falar que gostaram do número”, contou.

Mas também há situações ruins. “Pessoas que não gostam do trabalho, principalmente as de classe média alta, e acham que isso não é cultura, não é ser artista. Já teve gente que saiu do carro para arrumar briga”, disse.

Segundo ele, a melhor época para os artistas de rua é dezembro porque no fim do ano as pessoas estão mais abertas, recebem o 13° salário e o comércio funciona até mais tarde na cidade, e sempre é tempo de aprender. “A gente costuma falar que a rua é o palco experimental, para testar coisas novas, aprimorar”.

Kadu

 

“Nas primeiras vezes eu ficava meio nervoso, derrubava claves no chão, mas depois acostumei”, contou Carlos Eduardo Fernandes, de 38 anos, conhecido como Kadu, sobre os primeiros contatos com a rua.

Mágico, DJ, professor de dança e artista de circo em Araras (SP), ele trabalha com eventos, mas uma vez por semana vai para as ruas para complementar a renda.

Ele contou que a experiência nos semáforos começou em 2011 e hoje viaja para realizar apresentações nos faróis de outros municípios, como Rio Claro, Leme e Piracicaba. Nesses seis anos, muita coisa já passou por seu chapéu.

“Já aconteceu de, por engano, a pessoa colocar pen drive, aliança e voltar para buscar”, disse o artista.

Dificuldades

Entre as dificuldades listadas pelo malabarista estão o preconceito e a falta de receptividade.

“Como já sou artista e faço eventos na cidade os outros olhavam com o olhar de ‘nossa, esse moço já foi mágico e está fazendo farol’”, contou. “Também já passaram em cima das minhas coisas várias vezes, no chapéu, bolinhas”, completou.

 

Para ele, a situação mais difícil que enfrentou como artista de rua foi um desentendimento. “A última vez que fui ao semáforo, tive problema com um morador de rua, ele veio arrumar briga”.

Sportbook sites http://gbetting.co.uk/sport with register bonuses.