Mulheres são mortas por ex-colega

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Um universitário de 28 anos surtou e matou duas técnicas em enfermagem da Santa Casa de Mogi Mirim, quando estava como carona, anteontem à noite, em Artur Nogueira. Mateus Campos Noronha era conhecido de uma das vítimas e atribuiu o crime a um “surto psicótico”. Ele disse que matou as técnicas com socos e chutes, e em seguida as atropelou com o carro de uma delas. O crime aconteceu em uma área rural no limite entre Artur Nogueira e Mogi Mirim.

O assassino foi preso em uma área rural de Mogi Mirim pela Guarda Municipal (GM), algumas horas depois. Segundo o sub-coordenador da GM, Vanderlei Ricci, Noronha alegou que tinha uma “queda” por uma das vítimas, Alessandra Francisca de Paula Barbosa, de 41 anos. O crime foi registrado na delegacia de Artur Nogueira, como duplo feminicídio.

O estudante é filho do delegado seccional de Casa Branca, Benedito Antônio Noronha Júnior.
De acordo com Ricci, Mateus contou que tinha o hábito de pedir carona para Alessandra. Eles se conheciam há muito tempo, já que haviam trabalhado por um bom tempo em um asilo em Conchal. Alessandra e Maria Sivoneide Oliveira de Morais, de 44 anos, trabalhavam juntas e todos moravam em Conchal. “Ele disse que ligou e pediu para Alessandra deixá-lo na rodoviária de Mogi Mirim. Ela aceitou”, contou o sub-coordenador.

Os corpos de Alessandra e Maria foram achados em uma estrada de terra sem saída, na altura do km 18 da Rodovia dos Agricultores, pela Polícia Militar (PM), após denúncia de um morador, que avistou os corpos a cerca de um quilômetro de uma clínica de dependentes químicos. O carro de Alessandra foi achado no canavial, no km 6 da pista. “Ele foi detido após uma pessoa ligar no 190 e informar que havia um homem nu andando na pista. Chegamos no local indicado e não o achamos, pois um morador já o havia recolhido. Ele estava com algumas escoriações e nos contou que tinha sido vítima de um assalto, mas desconfiamos da versão e o levamos para a delegacia”, falou Ricci.

Para a polícia, Mateus disse que recebeu alta de um tratamento químico havia quatro meses, mas que há dois dias tinha sofrido uma recaída. Ele alegou que no caminho para Mogi Mirim teve um surto e pediu para Alessandra o levar para a clínica, no entanto, a caminho do local lhe deu “cinco minutos” e a mandou entrar em um beco, alegando que era um atalho para a clínica.

No caminho, Mateus, que estava no banco traseiro, espancou as vítimas e depois as lançou para fora do carro. Em seguida, pegou o veículo e fez uma manobra, espécie de cavalo-de-pau, e passou sobre as duas.

O universitário chegou a provocar escoriações em seu corpo para fazer a polícia acreditar que ele tinha sido vítima de roubo. Em primeira versão contada à GM, disse que no caminho, ainda em Conchal, Alessandra deu carona a um homem desconhecido, que durante o percurso teria anunciado o assalto e o colocado para fora do carro sem roupas.
Maria e Alessandra iniciariam o turno às 19h. A reportagem apurou que por volta das 18h, Alessandra teria ligado na unidade de saúde para comunicar que atrasaria um pouco em razão de problemas mecânicos no carro.

Em nota, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim informou que presta condolências aos familiares das técnicas de enfermagem Maria Sivoneide de Oliveira de Souza Moares e Alessandra Francisca de Paula Barbosa, pela brutalidade e tragédia ocorrida. “Agradecemos a dedicação e empenho das duas profissionais perante à Santa Casa de Mogi Mirim”, frisou.
A reportagem procurou o delegado seccional de Casa Branca, via a Secretaria de Segurança Pública (SSP), para comentar sobre o filho, mas não houve retorno. Como o assunto era de ordem pessoal, a Pasta não quis se pronunciar.