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Polícia prende acusado de matar mulher a facadas

A Polícia Militar prendeu nesta quarta-feira em Pirituba, na Grande São Paulo, o auditor Carlos Roberto Pachione, de 59 anos, acusado de matar a mulher, a garçonete e atendente Jamily Nayara Paulino, de 28 anos, com seis facadas. Instalado na casa de uma amiga, ele tentou fugir ao notar a presença dos policiais. Com um visual diferente, de cabelo raspado, Pachione disse que não se arrepende do crime.Segundo policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), o suspeito foi encontrado após uma abordagem a dois individuos no Jardim Itatinga, em Campinas. Eles estavam em um carro e demonstraram nervosismo. Após dar versões contraditórias, confessaram que haviam ido para Jundiaí levar uma pessoa acusada de homicídio em Campinas. Ao convencer os suspeitos a acompanhar eles até o local, acabaram sendo dirigidos para uma residência em Pirituba. Pachione tentou fugir pulando muro, mas foi preso. Segundo os policiais, a casa pertence a uma amiga dele — que conhecia Jamily. Ele teria dito que era procurado pela polícia porque estava com pensão alimentícia atrasada, ao buscar abrigo.

Com ele foi encontrado um documento falsificado, com o nome de Carlos Alberto Pacheco, de 56 anos. Ele acabou por confessar o crime e disse ter comprado o documento falso em Campinas por R$ 350,00, após o crime. Pachione alega que deixou a cidade porque tinha medo de ser reconhecido devido à repercussão na imprensa.

Para os policiais, Pachione alegou que sua mulher mantinha um relacionamento fora do casamento. Segundo ele, o crime aconteceu em um momento de raiva após ela dizer que tinha nojo de estar com ele. Pachione disse ainda aos policiais que Jamily o provocava dizendo que mantinha relações com o colega de trabalho, colocando em xeque sua virilidade.

Ele afirmou ainda que o relacionamento estava em crise e que por três vezes pediu para ela sair de casa — ele ficaria com o filho de 5 anos que vivia junto do casal na casa dos pais dele, no Conjunto Residencial Village Costa Verde. Sobre a noite do crime, confessou à polícia ter discutido com a mulher e que o filho dormia no momento da discussão. Ele disse que os pais dele podem confirmar sua versão.

Pachione também negou aos policiais que sua ação foi premetidada e que planejava a fuga. Afirmou ter a intenção de se entregar, mas que pretendia ficar 10 dias em Pirituba. Ao ser levado para prestar depoimento na 2ª Delegacia Seccional, disse que não ia comentar o caso com a imprensa.

Jamily era atendente em uma loja de pneus e acessórios para carros na região central de Campinas e também era garçonete em um restaurante japonês localizado na Vila Brandina, onde trabalhava apenas nos finais de semana. Pachione confirmou que o casal lanchou fora e que discutiu com sua mulher. Ele exigia que ela deixasse o emprego.

Segundo o Boletim de Ocorrência registrado do caso, durante a discussão, a moça mencionou que queria a separação em razão do ciúme dele. Ela justificou que não pediria a conta do trabalho em razão de ganhar bem. Após a discussão, os pais dele alegaram que o casal foi para o quarto, ligou a televisão no volume alto e por volta das 23h recebeu a ligação de uma filha, avisando sobre a tragédia.

O crime foi registrado como homicídio qualificado e será investigado pela 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) como feminicídio.

Jamily foi morta no quarto do casal. O filho, de 5 anos, dormia no mesmo cômodo. Ela levou seis facadas, sendo duas no peito. A polícia suspeita que ela foi dopada, já que ninguém ouviu barulhos. O corpo da jovem foi enterrado na tarde de quarta, no Cemitério Municipal Padre Anchieta, em Londrina. A mãe soube do crime por volta das 21h de segunda-feira, um dia após o assassinato, depois que amigos viram a história nas redes sociais. O corpo da jovem saiu de Campinas rumo ao Paraná na madrugada de quarta.

Ciúmes

Segundo amigos, Pachione sempre levava a jovem no ponto de ônibus e à noite a buscava no trabalho. Apesar de normalmente não reclamar da vida de casada, há cinco meses começou a demonstrar desejo de separar do marido devido ao ciúme excessivo dele. De acordo como o primo Adailton Paulino, recentemente ela se queixou do ciúme possessivo dele, mas nunca de agressão. “Nos últimos dias ele estava ameaçando ela, pois queria que ela parasse de trabalhar. Entre o emprego necessário para o casal e o filho, ela quis separar. Ele não aceitou.”

Segundo uma amiga próxima, a contato publicitária Andreia Marinello, Jamily chegou a se separar temporariamente do marido no ano passado devido ao ciúme, mas reataram pouco tempo depois. Recentemente ela chegou a comentar que o marido ameaçava matá-la, mas os cometários foram feitos em tom de brincadeira.

“Eu ri com ela, pois a gente achava que era mentira. A Jamily amava o Carlos e ele era uma pessoa muito social, agradável e legal.”

Vídeos

Na página social do auditor, que estava desempregado, as últimas postagens foram feitas em maio do ano passado. Pachione publicou dois vídeos, um romântico, com trailer da música You make me feel Brand New, do Simply Red e outro com uma música gospel, Excuse-me, de autoria do cantor Júnior. No vídeo aparecem as frases “às vezes amamos tanto que é preciso pedir perdão ao coração”.

Em um dos trechos da música postada é citada a seguinte frase: “me desculpa pelas coisas estranhas que faço, eu estou me afogando em seu oceano...”

 

Sonhadora e dedicada, dizem amigos

 

Bonita, brincalhona, trabalhadora, esforçada, dedicada, são algumas das qualidades listadas sobre Jamily, pelos seus amigos. “Era conhecida por menina do sorriso doce, de tão linda e humilde que era por dentro e por fora”, resume o primo Adailton Paulino. Jamily conheceu Carlos Roberto Pachione há sete anos, quando trabalhava de vendedora em uma loja de celulares em um shopping na Praia Grande, na Baixada Santista. Na época, ela tinha terminado um casamento de três anos. Pachione vivia sozinho, chegou de mansinho, lhe dava flores, elogiava, levava para comer em restaurante, lhe dava toda a atenção. “Ela estava carente e ele agia como um Don Juan. Era carinhoso, gentil, tudo o que uma mulher quer em um homem, assim o Carlos fazia”, disse uma amiga de infância, de 35 anos, que preferiu não se identificar. Na época, Pachione tinha um carro luxuoso e se dizia auditor. Os dois se casaram e logo ela engravidou. Ele tinha um bom apartamento em São Vicente e mesmo com a boa posição do marido, Jamily continuou trabalhando. “Ela era sonhadora, batalhadora. Ele era possessivo, mas ela não percebia. Ela o amava e achava que as atitudes de ciúmes dele eram normais. Ela também sentia ciúme dele, mas nada fora do comum”, contou a amiga. Depois de um algum tempo de casados, Pachione começou a perder bens. O casal teve que vender o apartamento onde morava para pagar dívidas e foi morar com uma amiga dela. Ficaram seis meses de favor com a amiga. Então ele decidiu ir para a casa dos pais. Ela ficou um tempo em São Vicente, cidade onde mora a mãe e o padastro. Todos achavam que era o fim do relacionamento, mas ela seguiu com ele. Jamily nasceu em Londrina, no Paraná. Os pais se separaram quando ela tinha entre cinco e seis anos. A jovem e a mãe se mudaram para Santos, onde estudou e fez muitos amigos. Era religiosa, frequentava uma igreja cristã e sempre estava nos cultos, onde conheceu o primeiro marido. A jovem sempre trabalhou. O primeiro casamento não deu certo e ela se separou. “Jamily não tinha olhos para ninguém. Sempre respeitou o Carlos. Mas ele tinha ciúmes do ex-marido dela. Mas nunca pensamos que este ciúme fosse tão doentio”, disse a amiga. Ela se formou em administração de empresas e há dois meses conseguiu emprego em uma loja de pneus e acessórios na região central de Campinas. Ainda estava em experiência, mas estava feliz porque ganhava bem. Na loja, ela trabalhava de segunda a sábado. E nos finais de semana à tarde fazia “bico” como garçonete em um restaurante japonês chique na Vila Brandina.

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