Erro
  • JUser: :_load: Não foi possível carregar usuário com ID: 42

Casa da Criança Paralítica faz bazar e pede doações para 'sobreviver' à crise

  • Written by 
  • Published in Variedades

 

 

 

Há 63 anos trabalhando com o atendimento especializado de crianças e adolescentes com deficiência física em Campinas (SP), a Casa da Criança Paralítica (CCP) passa por problemas financeiros, que resultaram em cortes de 20% dos funcionários, além de um maior critério na hora de receber novos pacientes. O déficit deste ano é estimado em R$ 1,2 milhão.

Nesta quarta-feira (8), das 8h às 17h, a entidade organiza um bazar beneficente para ampliar a receita com a venda de sapatos, roupas e eletrodomésticos. “Nossos gastos são de aproximadamente R$ 300 mil por mês, e hoje a gente não tem esse valor”, explica o diretor financeiro da unidade, Valdir Oliveira.

O serviço, que conta atualmente com 343 pacientes, sobrevive com recursos do governo, de empresas e de doações. Segundo Oliveira, desde o final de 2015, quando a questão financeira se agravou no país, as fontes têm “secado”.

“As empresas não têm ajudado por causa da questão econômica. Os governos têm retraído cada vez mais, tivemos redução no valor dos convênios e as pessoas, com medo do desemprego, se retraíram bastante”, lamenta.

Quando a crise se acentuou na unidade, iniciaram os cortes de funcionários de atividades administrativas e financeiras, mas as demissões não atingiram o setor de atendimento às crianças.

Doações

No final do ano de 2015, a entidade recebia mensalmente cerca de R$ 63 mil em doações. Neste ano, o valor gira em torno de R$ 50 mil.

“A pessoa continua doando por boa vontade, mas ela reduz o valor. A gente concorre com a capacidade da pessoa de decidir entre consumir, investir ou ajudar. Em uma hora de crise, ela valoriza o investimento e o consumo, e a ajuda ela corta, isso é natural”, afirma Oliveira.

Para a direção da CCP, a solução neste momento é trabalhar com o aumento das receitas, como a adesão de novos sócios e o bazar a ser realizado nesta quarta.

De acordo com a direção, está descartado o risco de a Casa fechar neste momento, mas novas reduções podem acontecer. “É possível [o corte de pacientes e medicamentos]. Vai chegar uma hora que não vai ter jeito, mas a nossa expectativa é de que essa hora nunca chegue”.

Socialização

Crianças de zero a 12 anos podem ser admitidas para tratamento na casa, que oferece atendimento em fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, enfermagem, nutrição, odontologia e psicologia.

Ao completar a idade limite, o paciente que ainda necessitar de tratamento segue na unidade, explica a coordenadora técnica, Lilian Robbi.

“A gente ainda tem objetivo, então ele vai ficando desde que tenha algo a ser feito na instituição. Temos uma paciente com 34 anos [...] ela faz o grupo de dança. Eles acabam ficando porque não encontram atividades na sociedade.”

Segundo Lilian, a paralisia cerebral e questões neurológicas e ortopédicas são as patologias que mais atingem os pacientes atendidos.

Maior critério

Para o diretor financeiro da unidade, a crise tem também aumentado a procura por atendimento nas organizações sociais. Segundo Oliveira, a demanda cresce no momento em que as pessoas não têm condições de seguir pagando planos de saúde, por exemplo.

“Nós não podemos fechar a porta nesses casos. Uma mãe que chega com o filho para ser atendido, você não pode dizer que não tem condições ou recurso financeiro para atender. Você tem que de alguma forma dar uma solução para o problema”.

Pelo aumento na procura, o critério para recebimento de novos pacientes também foi elevado. Normalmente, os que chegam à unidade passam por uma avaliação com médicos especializados. Apesar de não haver corte nos atendimentos, a quantidade de acolhimentos já é menor.

“Hoje as crianças ainda recebem atendimento completo, mas estamos priorizando os casos mais graves que chegam para a gente. Se eu tiver o corte do profissional técnico, vou ter que cortar pacientes, porque não tem como outro profissional absorver”, explica Lilian.

Em determinados casos, por questões de locomoção, as crianças precisam de atendimento individualizado, motivo pelo qual é necessário um profissional para cada paciente.

“Não tem como um profissional estar com três crianças dentro da sala. A criança com deficiência motora depende muito mais de uma pessoa ao lado dela. Têm crianças que não andam, que não falam, não têm controle de cabeça, então o profissional precisa posicionar para poder trabalhar”.Produzindo a renda

Grande parte dos pacientes são de famílias de “muito baixa renda”, de acordo com a coordenadora técnica. Por isso, a entidade também oferece programas aos pais e mães.

Oficinas de artesanato, de padaria, crochê, pintura e de tecido são, além de formas de gerar renda às famílias, um momento de descontração. “Hoje elas não trabalham [as mães das crianças]. Nas oficinas, é o momento em que ela está se dedicando a ela, criando alguma coisa, descobrindo uma habilidade nova [...] elas podem vender isso no meio delas, na comunidade, na igreja, para os vizinhos”, conta Lilian.

Bazar beneficente

Os produtos desenvolvidos em oficinas também serão comercializados no bazar beneficente da Casa da Criança Paralítica, que terá toda a renda voltada à entidade. Serão vendidas roupas, sapatos, eletrodomésticos e livros, a maior parte fruto de doações.

Com uma arrecadação média de R$ 15 mil ao mês, a ideia é fazer adaptações para que o rendimento do bazar suba em torno de 50%. “A nossa expectativa é ver se chegamos a R$ 25 mil por mês”, diz Valdir Oliveira.

O bazar é permanente e funciona diariamente em horário comercial, na sede da Casa da Criança Paralítica.

Serviço

Queima de Estoque do Bazar Beneficente da Casa da Criança Paralítica

Dia: 8 de março, quarta-feira

Horário: das 8h às 17h

Local: Casa da Criança Paralítica de Campinas

 

Endereço: R. Pedro Domingos Vitali, 160 - Parque Itália, Campinas

Sportbook sites http://gbetting.co.uk/sport with register bonuses.