Polícia e prefeitura investigam morte de recém-nascida no hospital municipal de Itapira

0

Pai alega em boletim de ocorrência que médica bateu a cabeça da criança em mesa durante o parto, e que bebê veio a óbito horas depois.

A Polícia Civil e a prefeitura de Itapira (SP) investigam a morte de uma recém-nascida no Hospital Municipal na madrugada de terça (5). O pai, um jovem de 18 anos, registrou boletim de ocorrência nesta quarta (6) em que alega que médica responsável pelo parto teria batido a cabeça da criança em uma mesa com instrumentos cirúrgicos assim que ela nasceu, vindo a óbito pouco depois.

A mãe, uma adolescente de 15 anos, estava com 8 meses e 6 dias de gestação quando entrou em trabalho de parto.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informou que “poderá abrir sindicância para apurar se houve indícios de má conduta ética e profissional.”

Segundo o rapaz, a adolescente começou a apresentar muitas dores na noite do dia 4 de novembro, o que levou o casal ao hospital. Lá, a médica teria informado que a jovem estaria com “contrações de treinamento”, com pouca dilatação, e que ofereceu remédio para dor.

Ainda de acordo com as informações fornecidas à Polícia e replicadas na rede social, o jovem conta que horas depois a companheira seguia com muitas dores e apresentou sangramento, fazendo com que eles voltassem a procurar a unidade de saúde.

O pai da bebê conta que ao retornarem, a médica fez os primeiros atendimentos e constatou aumento na dilatação, preparando a adolescente para o parto. O jovem destaca que a profissional estava “alterada”, dizendo para a mãe “parar de gritar” e que ela estava “empurrando errado” durante o procedimento de parto.

No documento registrado na Polícia Civil consta ainda que o pai informa que a médica depois de “puxá-la pelo pescoço”, virou a criança e “bateu com a cabeça na mesa de instrumentos cirúrgicos que estavam ao lado”. E, após isso, a médica iniciou massagem cardíaca na recém-nascida e depois levou-a à incubadora, onde passou a respirar com ajuda de aparelhos, vindo a óbito cerca de 1 hora depois.

Investigação
Delegado titular de Itapira, Anderson Cassimiro de Lima informou ao G1 que ouviu os pais nesta quarta e que iniciou o processo de investigação, onde aguarda informações do hospital e do laudo necroscópico da recém-nascida para decidir pela abertura ou não do inquérito.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Itapira informa que está “empenhada em elucidar as dúvidas geradas em relação ao atendimento prestado durante a internação”, que a investigação “segue em sigilo profissional”, e que “confia na idoneidade de seus colaboradores”.

Veja nota da prefeitura na íntegra:

“A Secretaria de Saúde de Itapira vem por meio desta nota manifestar-se em relação à dor e perda da família da RN (recém-nascida) da menor T.M.S. Solidarizamo-nos com a perda e entendemos o sofrimento e dor dos pais e ressaltamos que estamos empenhados para elucidação das dúvidas geradas em relação ao atendimento prestado durante a internação de T.M.S. A Secretaria informa ainda que está ao aguardo do laudo do Serviço de Verificação de Óbitos do Estado de São Paulo. Portanto, a fim de esclarecer todos os fatos a investigação segue em sigilo profissional. Gostaríamos de salientar que esta Secretaria confia em seus colaboradores e conhece a idoneidade e postura ético-profissional de cada um e sempre prezará pela excelência no atendimento prestado à população itapirense.”

Veta nota do Cremesp na íntegra:

“O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informa que, até o momento, não foi formalmente acionado sobre ocorrências no Hospital Municipal de Itapira. No entanto, reitera que – dentro de suas atribuições institucionais e de acordo com as normas legais – cumpre seu dever de apurar infrações éticas cometidas por médicos, no exercício da profissão, quando oficialmente acionado ou quando os fatos chegam ao seu conhecimento (ex officio). No caso em questão, o Cremesp poderá abrir sindicância para apurar se houve indícios de má conduta ética e profissional, respeitando os fluxos formais e garantindo o direito de manifestação a todos os envolvidos.”